A representação visual é a melhor maneira de criar uma compreensão partilhada
A tecnologia ocupa, atualmente, um lugar de destaque na sociedade contemporânea. A sua massificação provocou e continua a provocar grandes mudanças na sociedade e na forma como comunica. Se recorrermos a Jost (2011) o autor assume que o avanço tecnológico e de informação estruturou uma nova sociedade de comunicação, sem barreiras de comunicação entre organizações e público-alvo. Ou seja, estamos perante uma compressão de espaço e de tempo em que a conetividade e a interatividade entre as pessoas e o conteúdo andam de mãos dadas com a tecnologia.
Deste modo, particularmente em relação à comunicação empresarial e institucional, surgem diariamente novos paradigmas e desafios na forma como os profissionais de marketing influenciam e comunicam com os clientes atuais e potenciais. Se por um lado o conceito de comunicação deve ser simples, relevante e intuitivamente compreensível, e disruptivo.
Neste sentido, assumindo que o trabalho de um designer consiste em alargar as fronteiras de pensamento, gerar novas opções e, no fundo, criar valor para os utilizadores, tal exige capacidade de imaginar «aquilo que não existe». Assim, o design gráfico/comunicação acaba por ser responsável por grande parte do sucesso ou do fracasso de um produto, serviço ou marca, a campanha deve assentar numa ideia criativa, com potencial de ser recordada, capaz de estabelecer uma relação emocional com o consumidor e, finalmente, levar à compra.
Quando se trata de comunicar uma imagem vale mesmo por mil palavras. A representação visual é a melhor maneira de criar uma compreensão partilhada. Cada vez mais, os produtos são similares e as diferenças podem ser ténues. Face à banalização da oferta, a diferença reside na imagem. O valor imaterial das marcas precede o valor real dos produtos. Assim, uma história visual poderosa em reforço da apresentação verbal pode aumentar as oportunidades de ganhar a compreensão e o apoio para a sua ideia. Usar imagens em vez de usar apenas palavras para contar a história torna apresentação mais forte porque as pessoas identificam-se imediatamente com as imagens. As boas histórias captam atenção dos ouvintes, por isso, as histórias são a ferramenta ideal. Se lhes contar a história certa, podem conquistar a sua atenção. Uma boa história é uma forma apelativa de esboçar rapidamente uma ideia geral. Assim, as histórias tornaram-se numa poderosa ferramenta de comunicação, transmitindo mensagens e despertando emoções.
Com o avanço da tecnologia abriu-se um novo mundo para o universo das histórias, possibilitando a inserção de elementos audiovisuais como sons, imagens e vídeos a serem incorporados digitalmente na narrativa, dando origem ao conceito Digital Storytelling.
Por sua vez, para a Digital Storytelling Association (2002), o Digital Storytelling é a expressão moderna da antiga arte de contar histórias usando recursos digitais para criar histórias mais elaboradas e atrativas, que permanecem intemporalmente intactas. O Digital Storytelling deriva assim do seu poder de apresentação de imagens, música, narrativa e voz em total harmonia, dando assim uma mais profunda dimensão das personagens, situações e contextos.
Deste modo, surgem as narrativas digitais, também conhecidas por narrativas interativas, narrativas mediáticas (ou multimédia), storytelling ou narrativas em ambiente digital (Cirino, 2010).
Para Bidarra (2014) as narrativas digitais já fazem parte do meio académico, e não só, como até há algum tempo, essenciais nas áreas do teatro, cinema e jogos. O autor define o conceito de narrativas digitais pela narração convincente de uma história; elementos que oferecem um contexto significativo para a compreensão da história que está a ser contada; títulos, imagens e grafismo capazes de capturar e/ou expandir as emoções contidas na narrativa; voz, música e efeitos sonoros que reforcem ideias; e mecanismos que convidem a uma reflexão cuidadosa por parte do público.
Com a consolidação do movimento Digital Storytelling e o interesse de um crescente número de pessoas, o Digital Storytelling constitui atualmente uma prática de produção mediática, que se iniciou nos Estados Unidos da América, e que mais recentemente foi desenvolvida para uma atividade de construção de pequenas histórias produzidas sob a forma de um filme curto ou apresentação, habitualmente com uma duração que não excede os cinco minutos, combinando a linguagem áudio, como a voz do narrador, como música e/ou efeitos sonoros, com a linguagem vídeo, sejam imagens estáticas ou animadas. Assim, o Digital Storytelling no mundo digital é cada vez mais uma poderosa ferramenta, adaptativa ao mundo atual.
Bidarra, J. (2014). Ao encontro da geração net delineando um projeto de aprendizagem transmedia.Invisibilidades: Revista Ibero-Americana de Pesquisa em Educação, Cultura e Artes, 7.
Cirino, N. (2010) Narrativas Interativas no Cinema: repensando as estratégias de roterização. Revista Eletrônica Telemática.
Digital Storytelling Association. (2002). Disponível em http://www.dsaweb.org/01associate/ds.html.
Jost, F. (2011). Novos comportamentos para antigas mídias ou antigos comportamentos para novas mídias? MATRIZes, 4(2), 93-109.

